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Regulação · RADAR

Anatel limita o Wi-Fi de 6 GHz à parte de baixo da faixa: o que muda no seu roteador

Em agosto de 2026, a Anatel decidiu que o Wi-Fi poderá usar apenas a parte de baixo da faixa de 6 GHz, de 5.925 a 6.425 MHz. A parte de cima vai para as redes móveis. Fizemos a conta de quantos canais largos sobram e explicamos o que isso muda para quem tem ou pensa em comprar um roteador Wi-Fi 6E ou Wi-Fi 7.

Por · Redação Grupo TAAP · Publicado em · 6 min de leitura

Roteador branco com luzes indicadoras acesas
O roteador Wi-Fi 6E ou Wi-Fi 7 continua funcionando; o que muda é a parte da faixa de 6 GHz que ele pode usar. Foto: Misha Feshchak / Unsplash

O fato: o Conselho Diretor da Anatel aprovou, em agosto de 2026, o Acórdão nº 203 e o Ato nº 10.400. Pelas novas regras, o Wi-Fi fica restrito à parte de baixo da faixa de 6 GHz, de 5.925 a 6.425 MHz. A parte de cima, de 6.425 a 7.125 MHz, passa a ser destinada ao serviço móvel (SMP). A obrigação começa em 1º de março de 2027, segundo a Telesíntese e a Teletime.

Em uma linha: o Wi-Fi de 6 GHz passa de 1.200 MHz para 500 MHz, menos da metade. Para a casa comum, ainda cabem 3 canais de 160 MHz; quem perde mais é quem queria vários canais de 320 MHz.

O que a Anatel decidiu

A faixa de 6 GHz é a "estrada nova" do Wi-Fi. Os roteadores Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7 usam essa faixa além das antigas 2,4 GHz e 5 GHz. Até agora, a regra brasileira permitia o uso da faixa inteira, de 5.925 a 7.125 MHz, sem limite de largura de canal, como a própria Anatel registrou quando aprovou os requisitos técnicos do Wi-Fi 6E.

Com a nova decisão, a faixa foi cortada em duas partes:

Parte da faixa De Até Largura Uso
Inferior 5.925 MHz 6.425 MHz 500 MHz Wi-Fi (sem licença)
Superior 6.425 MHz 7.125 MHz 700 MHz Redes móveis (SMP)
Faixa inteira 5.925 MHz 7.125 MHz 1.200 MHz Regra anterior para o Wi-Fi

O Wi-Fi fica com 41,7% da faixa que tinha antes. As redes móveis ficam com 58,3%.

Segundo a Telesíntese, a votação aconteceu em 11 de agosto e o acórdão é de 12 de agosto. A obrigação começa em 1º de março de 2027: equipamentos com certificado válido depois dessa data terão de se adaptar na manutenção periódica da certificação. A Teletime informa ainda que o acórdão pede à área técnica um ambiente regulatório experimental para testar, no futuro, a convivência entre Wi-Fi e redes móveis na parte de cima.

Por que a Anatel dividiu a faixa

A Anatel defendia essa divisão havia tempo. Em audiência na Câmara, a agência apresentou a proposta de deixar a parte de baixo para o Wi-Fi 6E e o Wi-Fi 7 e a parte de cima para as redes móveis. Associações de provedores e entidades ligadas ao Wi-Fi criticaram o corte, com o argumento de que ele limita a capacidade das redes sem fio. A destinação ao serviço móvel também não significa uso imediato pelas operadoras: a faixa ainda depende de leilão.

A conta dos canais

No Wi-Fi, a velocidade máxima depende muito da largura do canal. Um canal de 160 MHz carrega cerca do dobro de um de 80 MHz. O Wi-Fi 7 trouxe canais de 320 MHz. Quanto mais largo o canal, menos canais cabem na faixa.

A tabela abaixo faz a conta simples, dividindo a largura disponível pela largura do canal. É o máximo teórico; a grade oficial de canais do padrão pode deixar o número real um pouco menor nas bordas.

Largura do canal Faixa inteira (1.200 MHz) Só a parte inferior (500 MHz)
20 MHz até 60 canais até 25 canais
40 MHz até 30 canais até 12 canais
80 MHz até 15 canais até 6 canais
160 MHz até 7 canais até 3 canais
320 MHz até 3 canais até 1 canais

O que a tabela mostra na prática:

  • Canais de 320 MHz: a faixa inteira comportava até 3. Na parte inferior cabe só 1. Se o vizinho também usar 320 MHz, os dois disputam o mesmo pedaço.
  • Canais de 160 MHz: caem de até 7 para até 3. Ainda dá para dois ou três vizinhos usarem canais diferentes.
  • Canais de 80 MHz: caem de até 15 para até 6. Para prédios com muitas redes, é a opção que mais evita interferência.
Antenas de telefonia celular presas em uma torre contra o céu azul
A parte de cima da faixa, de 6.425 a 7.125 MHz, foi destinada às redes móveis, que ainda dependem de leilão. Foto: Dylan Carr / Unsplash

O que isso significa para a internet da casa

A maioria dos planos de fibra no Brasil vai até 1 giga. Um plano de 1.000 mega entrega no máximo 125,0 MB/s (1.000 ÷ 8). Para levar essa velocidade do roteador até o notebook ou a TV, um canal de 160 MHz bem configurado costuma bastar, e a parte inferior da faixa ainda comporta 3 desses canais.

Em outras palavras: para quem só quer aproveitar o plano de internet, a mudança quase não pesa. A diferença aparece em dois casos:

  1. Prédios com muitas redes de 6 GHz. Com menos canais, fica mais difícil cada apartamento ter o seu canal livre. A tendência é usar canais de 80 MHz para dividir melhor o espaço.
  2. Transferências dentro de casa. Quem copia arquivos grandes entre computadores, para um NAS ou entre consoles, e queria usar canais de 320 MHz, terá só 1 canal desse tamanho. Nesses casos, o cabo de rede continua sendo a escolha mais estável.

Meu roteador vai parar de funcionar?

Não. Pelo que foi publicado, os produtos já homologados não são retirados do mercado de imediato. O prazo de 1º de março de 2027 vale para a certificação dos equipamentos, que terão de ser adaptados na manutenção periódica do certificado. Na prática, a adaptação deve chegar por atualização de firmware ou em novas versões do produto. Fique de olho nas atualizações do fabricante do seu roteador.

Se o seu roteador estiver hoje usando um canal na parte de cima da faixa, acima de 6.425 MHz, ele deverá ser movido para a parte de baixo quando a mudança chegar. Muitos roteadores escolhem o canal sozinhos; em outros, você escolhe na tela de configuração do Wi-Fi.

Antes de comprar um roteador Wi-Fi 6E ou Wi-Fi 7

  1. Confira o selo da Anatel na caixa ou no site da loja. Aparelhos sem homologação podem não seguir as regras de faixa.
  2. Não pague mais só pelo canal de 320 MHz. No Brasil, depois de março de 2027, só caberá 1 canal desse tamanho na faixa de 6 GHz.
  3. Pense no seu plano. Se a internet é de até 1.000 mega, o Wi-Fi 6E ou Wi-Fi 7 ajuda mais pela faixa limpa e pela menor interferência do que pela velocidade máxima anunciada.
  4. Use 6 GHz perto do roteador. A faixa de 6 GHz tem alcance menor que a de 5 GHz e atravessa pior as paredes. Para cômodos distantes, a rede de 5 GHz ou um ponto de acesso extra continua sendo necessário.

Perguntas rápidas

O Wi-Fi 7 continua permitido no Brasil?

Sim. A decisão muda a parte da faixa de 6 GHz que o Wi-Fi pode usar, não o padrão. A apresentação da Anatel na audiência indicava que a parte inferior ainda permite o Wi-Fi 7 com canal de até 320 MHz.

Quando a regra passa a valer?

A obrigação começa em 1º de março de 2027, segundo a cobertura da decisão.

As redes de 2,4 GHz e 5 GHz mudam?

Não. A decisão trata só da faixa de 6 GHz.

Para ver quanto o seu plano entrega por segundo, use a calculadora abaixo, já preenchida com 1.000 mega.

Faça a conta: Mega para MB/s

Explicação completa
Teste com:

Fontes e referências

  1. Teletime — Anatel limita Wi-Fi à banda inferior da faixa de 6 GHz (13/08/2026)Acórdão nº 203 e Ato nº 10.400, faixa de 5.925 a 6.425 MHz para o Wi-Fi e 6.425 a 7.125 MHz para o SMP
  2. Telesíntese — Anatel restringe Wi-Fi à porção inferior dos 6 GHz a partir de 2027Votação em 11 de agosto, acórdão de 12 de agosto e obrigatoriedade a partir de 1º de março de 2027
  3. Anatel — Anatel participa de audiência sobre divisão da faixa de 6 GHz entre Wi-Fi e telefonia móvelProposta de divisão da faixa e justificativa da agência
  4. Anatel — Anatel aprova requisitos técnicos para Wi-Fi 6ERegra anterior: equipamentos de 5.925 a 7.125 MHz, sem limite de largura de canal

Conferimos datas, números e versões nas fontes acima antes de publicar. Veja como trabalhamos na metodologia e as fontes que o Radar acompanha em Fontes.

Redação Grupo TAAP

Explicamos redes e internet em português simples, com a conta aberta. Usamos automação e IA para apoiar a pesquisa e a redação; os números vêm das calculadoras do site e as regras são conferidas nas fontes primárias.

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